segunda-feira, 30 de junho de 2008

Conto: Liberdade?

Sandro vive em um planeta muito semelhante ao nosso: 3/4 da superfície é coberta por água, o restante por terra, mesmo esta pequena porção serve para abrigar muitos povos, com paisagens variando entre desertos escaldantes, florestas tropicais e geleiras nos pólos. A temperatura é a mesma da Terra, os animais são os mesmos, a atmosfera é a mesma, até o estágio de tecnologia da população à qual Sandro pertence é equivalente ao nosso. Porém existe uma diferença peculiar entre o mundo de Sandro e o seu: no mundo de Sandro, todas as pessoas gostam de maçã.

E não se limitam a gostarem de maçã, elas gostam APENAS de maçã, enquanto fonte de alimento. Sandro não é excessão, é claro; desde que era bebê, seus pais lhe davam maçã em forma de patê para que comesse. Cresceu comendo a fruta, ouvindo de todas as mídias existentes que era uma fruta saudável, que garantia todos os nutrientes necessários para os habitantes daquele planeta se manterem saudáveis e livres de doenças até alcançarem uma longa expectativa de vida. Como não poderia gostar de maçã? Sentia-se feliz e saudável com isso, e nunca imaginou se haveria outra fruta para comer senão a bendita maçã.

Um dia, porém, viajou ao sítio de sua família, sozinho, para se afastar um pouco do caos urbano. O sítio ficava em uma área rural muito bem servida de fauna e flora de diversas espécies, e Sandro quis dedicar um pouco de seu tempo para conhecê-la. Após a primeira noite no sítio, acordou cedo e decidiu embrenhar-se nas matas que cercavam sua casa, para ver se encontrava algo de novo e exuberante. Alguns minutos de caminhada e Sandro já havia encontrado uma coisa que o deixara estupefato: uma videira. Inicialmente Sandro não sabia que era uma videira, mas logo lembrou-se das histórias contatas por seu avô, já no fim da vida, que lhe falava de uma época em que as pessoas não comiam apenas maçã, e haviam outras frutas e frutos deliciosos que as crianças daquele século roubavam para comer. Uma destas guloseimas que seu avô havia lhe falado era a uva: fruto pequeno, arredondado, macio, de cores diversas, sempre vindo em cachos com uma grande quantidade. As uvas que Sandro havia encontrado eram de cor azul marinho, pareciam minúsculos balões, assim como seu avô lhe contara, e se mostravam suculentas diante dele, como que pedissem para serem comidas. "Será que isso pode me fazer mal?", Sandro pensou. Afinal, sempre fora ensinado que comer maçã é que era o bom. "Mas se meu avô comia, eu também posso comer", logo raciocinou. Pegou um cacho e levou para casa, comeu-o inteirinho de uma vez só, estava maravilhado com aquilo que descobrira. Eram deliciosos os frutos. Pegava-os todo dia para comer, e quando voltou, decidiu levar para os seus pais experimentarem.

- Pai, mãe, olha o que eu achei! - disse Sandro, ao chegar em casa, exibindo o cacho de uvas.
- Meu filho, o que é isso! - disse a mãe de Sandro, com uma expressão de espanto. - Você comeu isso? Joga isso fora! - disse a mãe, tentando tirar o cacho das mãos de Sandro, que resistiu.
- Pára, mãe! O vovô também comia isso, eu lembro que nas histórias dele haviam outras frutas além de maçã! - retrucou o assustado Sandro, perante a atitude de sua mãe.
- Ah é? E porque você acha que ele só viveu até os 80 anos? Esse negócio é perigoso, filho. Você tem que comer maçã, que é uma fruta alterada geneticamente, perfeitamente modificada para nos fazer bem. - disse a mãe, já mais calma, tentando persuadir o filho a jogar fora aquele cacho de uvas.
- Nada a ver mãe, comi várias lá no sítio e até agora não passei mal nem nada, vou continuar comendo! - disse o filho, dirigindo-se para o quarto.

A mãe de Sandro ficou assustada com aquilo. Será que o filho poderia contrair alguma doença por comer aquele alimento selvagem, sem trato nenhum, advindo de uma natureza suja, primitiva? Acabou por decidir que iria deixar pra lá por enquanto, seu filho já era maior de idade, não era nenhuma criança mentalmente e sempre soube o que faz. Nada poderia fazer para impedi-lo.

Sandro continuou comendo a uva. Sempre voltava para o sítio para pegar mais. Estava de férias, podia ir todo final de semana pegar o suficiente para o próximo sábado. Quando terminaram as férias, quis levar um pouco para seu colégio, mostrar aquela maravilha para seus amigos, que provavelmente nunca ouviram falar daquilo, pensava Sandro.

Levou um cacho para o colégio e distribuiu entre seus colegas. Alguns aceitaram de imediato, outros ofereceram alguma resistência, pelo mesmo receio da mãe de Sandro, mas todos acabaram comendo, pois o fruto parecia tão inocente e delicioso que não havia como não comê-lo. Jovens que eram, impetuosos, não se preocupavam com perigo algum. Apenas comeram a fruta e gostaram. Na mesma semana, alguns pediram umas sementes para tentar cultivar a planta em casa. Sandro deu de bom-gosto, afinal, acreditava que todos mereciam conhecer aquele delicioso alimento.

Passado um tempo, grande parte dos jovens de sua faixa etária já estavam alternando sua alimentação entre maçã e uva. Não demorou muito para que começassem a comer mais uva do que maçã, até que chegou um ponto que muitos pararam de comer maçã e só queriam comer a tal uva. As grandes empresas produtoras de maçãs, quando souberam desse quadro alarmante, trataram de convocar a mídia para fazer alguma coisa a respeito. A televisão fez várias pesquisas e contratou vários especialistas para tentar explicar porquê os jovens estavam consumindo aquela coisa estranha.

Dentre várias explicações dadas por sociólogos e outros teóricos das ciências humanas, estas eram as mais comuns:

- Eles são jovens. Estão em uma fase em que precisam se auto-afirmar para o grupo, em que a maneira que vêem de se mostrarem como cidadãos e de conquistar os outros de seu meio é sendo diferentes, fingindo uma postura pseudo-esquerdista sobre a sociedade.
- Isso é só uma fase. Com os hormônios à flor da pele, esses jovens querem experimentar coisas diferentes, radicais, querendo chocar as pessoas. Também já passei por isso e lhes asseguro: isso logo passa.
- Infelizmente, esses garotos não tiveram uma educação adequada em suas famílias, e agora deixam-se levar por essa nova moda de rebeldia e anarquismo, brincando de serem contra o sistema, mas logo eles verão que nada disso adiantará e eventualmente passarão a tomar uma postura mais adulta.

Porém, ao contrário do que os teóricos afirmavam, aquila "febre da uva" não passou rapidamente. Anos após, os mesmos garotos continuavam a consumir o fruto, e até as crianças da nova geração brigavam com os pais para que eles plantassem a videira em casa. Os conflitos familiares se tornavam cada vez mais frequentes, os pais não conseguiam conter os seus filhos, eles tinham que experimentar aquela coisa nova. As indústrias da maçã já estavam com um faturamento 80% menor do que antes da febre. Já haviam grupos anti-uva, muitos deles formado pelos filhos dos agricultores da maçã, que já não podiam ostentar o luxo de seus filhos depois das quedas nas vendas.

Sandro, porém, estava alheio quanto à todos esses acontecimentos. Muito ocupado com os estudos na universidade, não tinha tempo para ver televisão e tinha preguiça de ler jornais. Um dia, ao sair na rua comendo um cacho de uva, foi abordado em uma esquina por um pequeno grupo de playboys anti-uva, grandes e marrentos, que o viram com o cacho na mão e gritaram:

- Tu gosta de uva é? Pega ele! - disse o que parecia ser o líder do grupo, apontando o dedo para Sandro.

Sandro, que nunca havia frequentado uma academia, acabou perdendo a corrida. Foi agarrado e surrado violentamente pelos garotos anti-uva. Poderia perder a vida, não fosse uma viatura policial que passou pelo local no momento. Ao virem a patrulha, os anti-uva largaram Sandro e sairam correndo em disparada. Os policiais não deram tratamento muito diferente à Sandro:

- Olha só, é um daqueles punkzinhos que gosta de comer uva! - disse um.
- Esses moleques são todos marginais, um dia minha filha foi roubada por um pivete, e, adivinha, ele estava comendo uva! - falou o outro, nervosamente.
- Quem sabe esse moleque e o ladrão não são amiguinhos? - disse o último, de forma escarnecedora. - Deixa ele passar uma temporada na cadeia pra ver se aprende!

Os policias, sem cuidado algum com os ferimentos de Sandro, o agarraram e jogaram-no para a traseira do carro com truculência. Sandro passou dois dias sozinho numa cela, comendo uvas servidas num prato cheio de urina, e os policiais divertiam-se em ver-no comer aquela nojeira. Até que a mãe de Sandro chegou.

- Seu filho estava envolvido em uma briga de gangues, madame. - mentiu o delegado, tentando justificar a prisão de Sandro.
- Ah, pobrezinho dele! Mas pode deixar, senhor delegado, que daqui pra frente eu vou botar ele nos eixos! - disse a mãe, pagando a fiança de Sandro.

Sandro voltou para casa, mas seu relacionamente com os pais nunca foi mais o mesmo. Seus pais passaram a tratá-lo como uma vergonha para a família, mal olhavam-no nos olhos. Sandro tentou trazer uvas escondidas para casa, mas seu pai batia nele e jogava as uvas no lixo sempre que o fazia. Até a namorada Sandro perdeu, pois ela achava que Sandro era muito imaturo e só iria voltar para ele quando crescesse, o que, para ela, significava para de comer uva.

Sandro, por gostar de uma coisa diferente, sofreu as piores consequências, sem nunca entender porquê, até por que não havia razão mesmo.

2 comentários:

  1. BOAAAAAAAAA NOTA::::::::::::::::::: 9

    NOVE PQ??????????????????

    N TEM PETINHSO seNAUM 10

    BEJOS ME ADD VIU!!!!!! ;)))

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  2. Oi. Conto estranho e sem sentido. Mas no final até que fez um sentido bom.

    E não liga pro Zé porque ele só quer ver cocota japonesa e personagem do DoA, mais nada.

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